{"id":1765,"date":"2016-06-21T10:29:40","date_gmt":"2016-06-21T13:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1765"},"modified":"2016-06-21T10:30:04","modified_gmt":"2016-06-21T13:30:04","slug":"a-nossa-velha-torre-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1765","title":{"rendered":"A nossa velha torre branca"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Texto: <\/strong>\u00c1lvaro Perazzoli<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_1766\" style=\"width: 326px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1766\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1766\" title=\"Torre_branca\" src=\"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Torre_branca-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Torre_branca-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Torre_branca-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Torre_branca.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 316px) 100vw, 316px\" \/><p id=\"caption-attachment-1766\" class=\"wp-caption-text\">Torre Branca<\/p><\/div>\n<p>Sempre que recordo-me de ti eu vejo os seus olhinhos sorrindo. Voc\u00ea sorri at\u00e9 quando est\u00e1 triste.<\/p>\n<p>Hoje voltei um pouco para a minha inf\u00e2ncia para escrever para o menino dos meus. Nesse passeio eu tropecei em ti.<\/p>\n<p>Eu chorei hoje por nossas inf\u00e2ncias. Quis pegar na sua m\u00e3o e correr para a nossa torre velha e branca de concreto<\/p>\n<p>Ela fora abandonada. Um dia foi bem alta, tinha uma escada em caracol e janelinhas estreitas sem vidros que passavam a luz do sol.<!--more--><\/p>\n<p>A gente corria de m\u00e3os dadas nas escadas e voc\u00ea me puxava. No primeiro dia eu tive uma flor com caule bem verde e p\u00e9talas alaranjadas na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea ficou l\u00e1 no topo no \u00faltimo degrau, eu dois abaixo de voc\u00ea. Te entreguei a flore te olhei por baixo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tinha um vestido branco e uma franja loira. Sapatos de bailarina surrados amarrados no tornozelo.<\/p>\n<p>Eu era bochechudo, n\u00e3o gostava muito do meu cabelo. Vestia quase sempre uma cal\u00e7a marrom velha e uma camisa listrada azul beb\u00ea com marinho escuro.<\/p>\n<p>Elas eram menores que meu corpo e eu tinha uma barriguinha.Deixava aparecer furtivamente o meu umbigo e voc\u00ea achava gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu usava umas sandalinhas beges com fivelas e voc\u00ea falava dos meus dedos feios. Ria, me dizia que eu as roubei de velhos.<\/p>\n<p>Eu a olhava com vontade e voc\u00ea desviava com gra\u00e7a. Eu tinha medo e voc\u00ea bolinhas de gude.<\/p>\n<p>Voc\u00ea ent\u00e3o pegou a flor e fechou os olhos. Sentiu o aroma, recostou-se em seus ombros e sonhou.<\/p>\n<p>Eu pousei a minha cabe\u00e7a nos seus p\u00e9s e sorri feliz. Era o travesseiro mais confort\u00e1vel do universo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea, como a minha m\u00e3e, acariciou meus cabelos e desceu os degraus. Ent\u00e3o me abra\u00e7ou e eu aprendi a voar.<\/p>\n<p>Tinha borboletas laranjas, lib\u00e9lulas azuis e abelhas que cantavam enquanto joaninhas saltitavam. E o c\u00e9u t\u00e3o cinza ficou t\u00e3o azul e o sol t\u00e3o amarelo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea Tia Ab\u00f3bora e eu Caracol. Eu queria ser astronauta e voc\u00ea bailarina, voc\u00ea era a lua e eu o palco.<\/p>\n<p>Naquela torre velha ningu\u00e9m nos fazia mal, nem o passado, nem o presente. \u00c9ramos um par de n\u00f3s acima de tudo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o falei que voc\u00ea fora os meus primeiros e \u00fanicos olhos verdes. Lembrei do quanto hoje derramei l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>Trov\u00f5es ecoaram nos c\u00e9us e p\u00e1ssaros negros anunciam a mudan\u00e7a de esta\u00e7\u00e3o. A tempestade aprisionou a nossa inf\u00e2ncia naquela torre e fomos descobertos.<\/p>\n<p>Nossos pais proibiram de nos vermos e nunca mais conseguimos voltar. Ela desapareceu em algum lugar do nosso futuro.<\/p>\n<p>Adulto eu tive mais uma vez a chance de ficar diante das misteriosas meninas verdes que lhe pertencem. M\u00e3os pesadas e quase esmaguei as pequeninas esmeraldas.<\/p>\n<p>Hoje naveguei nas l\u00e1grimas e recordei da nossa velha torre branca. Ela era uma torre de lan\u00e7amento e seus olhos long\u00ednquas estrelas que me guiavam&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: \u00c1lvaro Perazzoli Sempre que recordo-me de ti eu vejo os seus olhinhos sorrindo. Voc\u00ea sorri at\u00e9 quando est\u00e1 triste. Hoje voltei um pouco para a minha inf\u00e2ncia para escrever para o menino dos meus. Nesse passeio eu tropecei em ti. Eu chorei hoje por nossas inf\u00e2ncias. 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