{"id":1756,"date":"2016-05-06T01:22:06","date_gmt":"2016-05-06T04:22:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1756"},"modified":"2016-05-06T01:29:25","modified_gmt":"2016-05-06T04:29:25","slug":"a-navalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1756","title":{"rendered":"\u00c0 Navalha"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Texto e imagem: <\/strong>\u00c1lvaro Perazzoli<\/em><strong><br \/>\nA espera<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1759  alignleft\" title=\"Cigarro Esquecido\" src=\"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/A_Navalha-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/A_Navalha-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/A_Navalha-800x597.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Tu pedistes para lhe esperar&#8230;<\/p>\n<p>E durante esta transla\u00e7\u00e3o fostes a escolhida entre bilh\u00f5es, tal qual a estrela sorteada por uma crian\u00e7a com seu dedo m\u00e1gico.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o durante muitas noites de perdi\u00e7\u00e3o habitei uma ideia.<\/p>\n<p>Nas noites que mais senti dor e n\u00e3o me abriguei do frio, fostes a salvadora, a mulher que vi como hero\u00edna.<\/p>\n<p>Fostes sem saber, meu Valium e a minha coca\u00edna.<!--more--><\/p>\n<p>Os mais diversos astros femininos atra\u00edram-me com os seus brilhos, mas o lado escuro das suas nove luas que me encantaram.<\/p>\n<p>Nas mais duras batalhas e perdas eu ia abra\u00e7ar o mar.<\/p>\n<p>Imaginava se o oceano que separava a sua mat\u00e9ria do meu esp\u00edrito poderia conectar de alguma forma dois continentes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o me amedronto com toda essa eterna e completa volta terrena ao redor de um sol.<\/p>\n<p>O agora se resume em minutos que pulsam como mil\u00e9simos no meu eucentrismo.<\/p>\n<p>E assim est\u00e3o meus m\u00fasculos, flamejantes nesta intermin\u00e1vel espera prestes a findar-se.<\/p>\n<p>Um tum com tic, outro tum com tac que v\u00e3o batendo e badalando para cada alma que desembarca neste cais.<\/p>\n<p>Venho por respostas, mas neste momento estou com tantas d\u00favidas e incertezas.<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 chegando&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 assim talvez que os homens quase pais e ainda meninos sentem-se ao esperar seus primog\u00eanitos no corredor da maternidade.<\/p>\n<p>Nunca ao certo saberei e apenas divagarei enquanto espero.<\/p>\n<p>Realizei pessoalmente todos os meus partos.<\/p>\n<p>Um temor estranho, gelado de alegria e melado de saudade.<\/p>\n<p>Invade e invade.<\/p>\n<p><strong>A chegada<\/strong><br \/>\nEu lhe esperei e aqui estou.<\/p>\n<p>Ela me viu.<\/p>\n<p>O seu abra\u00e7o n\u00e3o me abra\u00e7a e o beijo \u00e9 uma mera e tola fantasia.<\/p>\n<p>A sua progenitora \u00e9 me apresentada.<\/p>\n<p>Ela confunde meu continente com seu oriente.<\/p>\n<p>Poderia ent\u00e3o ser eu um abor\u00edgene?<\/p>\n<p>Certamente nesta pobre vis\u00e3o seria mais agrad\u00e1vel ser um babu\u00edno sobrevivendo como um servi\u00e7al.<\/p>\n<p>Venenos brancos n\u00e3o mais penetram minha pele negra, tal qual quando amea\u00e7ada se enrijece como um violento \u00f3rg\u00e3o genital masculino e faz com que tudo ao redor torne-se pequeno e insignificante.<\/p>\n<p>Como um cavalheiro inspiro e me apresento como um dan\u00e7arino que valsa com cem violinos sob um piso l\u00edmpido de uma luxuosa embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim poderei sempre vislumbrar dos meus aposentos uma estirpe burlesca da mais baixa classe que navega com suas l\u00ednguas e julgamentos em um desprez\u00edvel e insignificante oceano de merda.<\/p>\n<p><strong>O caminho<br \/>\n<\/strong>M\u00e3os que n\u00e3o me tocam, abra\u00e7o que n\u00e3o me abra\u00e7a, olhos que n\u00e3o me olham, boca que n\u00e3o me beija.<\/p>\n<p>Seu corpo \u00e9 um poderoso canh\u00e3o que n\u00e3o atira e o seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medieval armadura que n\u00e3o protege.<\/p>\n<p>\u00c9 como se o meu sentimento fosse uma viola\u00e7\u00e3o de suas mais virgens entranhas.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o a vi sorrir e por muitas vezes, como agora, me censuro para n\u00e3o dizer o que vi.<\/p>\n<p>Voc\u00ea inspira toxinas e faz a fuma\u00e7a dan\u00e7ar em suas narinas.<\/p>\n<p>Ser passivo neste teu v\u00edcio foi talvez o que mais profundo respirei de ti hoje.<\/p>\n<p><strong>O seu at\u00e9 breve e o grande funeral do nunca mais<\/strong><br \/>\nO sangue escorre pelas minhas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Ele faz com que cada tecla deste imundo emaranhado de letras em forma de piano seja como passos de dedos embriagados em uma dan\u00e7a moribunda qualquer.<\/p>\n<p>Poderia tamb\u00e9m usar os mais absurdos trocadilhos e passear como um barqueiro condutor de almas neste papel virtual infinito.<\/p>\n<p>Mas tenho que constantemente escolher se remo ou se rimo.<\/p>\n<p>Dissestes-me que chorastes no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o digo-lhe que dele ca\u00edstes uma chuva de natalhas em meus ombros que ainda insiste em me cortar. Ainda n\u00e3o sei se p\u00fatrida ou angelical, se f\u00e9tida ou umbilical.<\/p>\n<p>Testemunhas de Jeov\u00e1 alimentam os javalis na escola dominical.<\/p>\n<p>\u00c9 tudo o que vi no c\u00e9u hoje.<\/p>\n<p>Este mesmo pal\u00e1cio de jesuses inventados, astronautas mentecaptos e dos n\u00e3o menos memor\u00e1veis e est\u00fapidos lun\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Nem \u00cdcaro e tampouco Galileu, hoje quem vomita f\u00edsica e escarra poesia neste universo sou eu.<\/p>\n<p>O L\u00e1 \u00e9 um agora de uma nota que a lua gritar\u00e1 por D\u00f3.<\/p>\n<p>Ela sabe ent\u00e3o que o Sol nunca mais emitir\u00e1 tal som.<strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Um adeus e nada mais<\/strong><br \/>\nSabes que em outra \u00e9poca o c\u00e9u e o inferno tentaram nos avisar.<\/p>\n<p>Manifestaram com suas trombetas causando-me as mais diversas pragas e desgra\u00e7as.<\/p>\n<p>Insisti, por um amor incompreendido, por um sentimento n\u00e3o correspondido e por um suporte nunca tido.<\/p>\n<p>Eu a amei como nunca haveria sido.<\/p>\n<p>Talvez o fim do que nunca come\u00e7ou \u00e9 aquele retrato de nossas mat\u00e9rias nunca feito e que jamais ser\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9, quem sabe, o cosmo dizendo que uma hist\u00f3ria sem registro \u00e9 talvez mais f\u00e1cil de ser esquecida&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e imagem: \u00c1lvaro Perazzoli A espera Tu pedistes para lhe esperar&#8230; E durante esta transla\u00e7\u00e3o fostes a escolhida entre bilh\u00f5es, tal qual a estrela sorteada por uma crian\u00e7a com seu dedo m\u00e1gico. 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