{"id":1680,"date":"2014-06-05T01:33:19","date_gmt":"2014-06-05T04:33:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/?p=1680"},"modified":"2014-06-05T10:40:51","modified_gmt":"2014-06-05T13:40:51","slug":"o-cacador-de-rainhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1680","title":{"rendered":"O ca\u00e7ador de rainhas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Texto: <\/strong>\u00c1lvaro Perazzoli<br \/>\n<strong>Foto: <\/strong>Via <a href=\"http:\/\/focusonmovies.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Focusonmovies<\/a><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1681 alignleft\" title=\"O ca\u00e7ador de Rainhas\" src=\"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/rainha-300x164.jpg\" alt=\"\" width=\"335\" height=\"182\" srcset=\"https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/rainha-300x164.jpg 300w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/rainha-800x438.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/>Estamos em uma vila de pedras esquecida pelo passado e consumidas pelo presente.<\/p>\n<p>Sou um mero observador de uma rainha que governa a escurid\u00e3o e tem as sombras como s\u00faditos leais.<\/p>\n<p>Ela envenena cada beco frio com sua fragr\u00e2ncia e faz-me ca\u00e7\u00e1-la como um c\u00e3o vadio.<!--more--><\/p>\n<p>Estou faminto, mas nessas terras ermas de muralhas e labirintos s\u00e3o os penetrantes olhos verdes reais que tudo v\u00eaem que me perseguem.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 t\u00e3o escuro, nesse instante o negrume \u00e9 quebrado pelo rompimento do sil\u00eancio. O vento uiva e com ele ou\u00e7o as delicadas notas da sua voz.<\/p>\n<p>Sou o ca\u00e7ador errante, minha pele \u00e9 negra, meus bra\u00e7os s\u00e3o estreitos e minha certeza \u00e9 p\u00e1lida. Ca\u00e7o-a, n\u00e3o para escraviz\u00e1-la, mas para que ela sodomize meu reinado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a vejo&#8230;<\/p>\n<p>Encara-me com seus olhos cor de selva. Hipnotiza-me com a luz noturna refletida em sua pele.<\/p>\n<p>De ca\u00e7ador agora passei a animal.<\/p>\n<p>Todo seu poder \u00e9 profanado em sua boca. E ela sabe o qu\u00e3o poderoso s\u00e3o seus l\u00e1bios. Quantos morreriam por eles e quantos se sacrificariam apenas para tocar-lhes uma \u00fanica vez?<\/p>\n<p>E nessas trevas cinzentas, o escabroso vermelho em sua boca \u00e9 a den\u00fancia de que ser\u00e1 ela quem tocar\u00e1 as sete trombetas do apocalipse.<\/p>\n<p>E quem sou eu?<\/p>\n<p>De animal passo a um ser rastejante qualquer que vai de encontro ao seu longo e alvinegro vestido.<\/p>\n<p>Suas m\u00e3os afastam-me de seu corpo e condenam-me como um transgressor. De animal a presa, de raz\u00e3o a desejo, de certezas a vontades. Minha l\u00edngua toca seus dedos repletos de unhas pinceladas de negro.<\/p>\n<p>Desejo-a, quero-lhe, fito-a, miro-lhe, venero-a, martirizo-me.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o tenho mais mat\u00e9ria, sou agora uma alma vagabunda querendo abrigo em seu corpo.<\/p>\n<p>Aque\u00e7a-me em teus seios, embale-me em teu canto, conforte-me em teu colo, mostre-me o fogo do inferno em tuas estranhas e a luz celestial em teu orgasmo.<\/p>\n<p>J\u00e1 estou farto de tanto frio e tanta escurid\u00e3o. Vim ca\u00e7ar-lhe e agora sou o seu jantar?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por favor, mastigue-me com estes grandes l\u00e1bios, devore-me com a selvageria dos teus dentes e me saboreie com a majestosa dan\u00e7a da tua l\u00edngua.<\/p>\n<p>Os ventos trazem o som de violinos que tocam em uma janela distante. Sou ent\u00e3o uma presa dispensada. Ela se vai sem ir eu fico sem a ter.<\/p>\n<p>Recolho as partes que sobraram do meu eu para que amanh\u00e3 possa novamente ca\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: \u00c1lvaro Perazzoli Foto: Via Focusonmovies Estamos em uma vila de pedras esquecida pelo passado e consumidas pelo presente. Sou um mero observador de uma rainha que governa a escurid\u00e3o e tem as sombras como s\u00faditos leais. 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