{"id":1657,"date":"2014-03-10T22:08:05","date_gmt":"2014-03-11T01:08:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/?p=1657"},"modified":"2014-03-10T22:09:06","modified_gmt":"2014-03-11T01:09:06","slug":"sexo-tragedia-iii-o-outro-lado-do-muro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1657","title":{"rendered":"Sexo &#038; Trag\u00e9dia &#8211; III &#8211; O outro lado do muro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><em><strong>Texto:<\/strong> \u00c1lvaro Perazzoli<\/em><br \/>\n<em><em><strong>Imagem:<\/strong> <\/em><\/em>Oitenta &#8220;tijolinhos&#8221; &#8211; Obra produzida por menores da favela carioca<\/em><\/p>\n<p><em><em><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1658\" title=\"O outro lado do muro\" src=\"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/del-300x171.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"171\" srcset=\"https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/del-300x171.jpg 300w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/del.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/strong><\/em><\/em>As flores na janela da minha vizinha era o sinal que ela queria dar. Descobri bem cedo que na casa ao lado morava uma mulher s\u00e1dica, perversa e depravada. Eu tinha apenas oito anos, e s\u00f3 n\u00e3o tinha descoberto antes, pois somente nessa idade atingi a altura necess\u00e1ria para olhar por cima do muro.<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha perdido minha inoc\u00eancia na igreja. E n\u00e3o tinha sido um padre que me currou, mas a pr\u00f3pria filha do pastor que me chupou. <!--more-->Era quatro anos mais velha e frequentemente me abusava. Tocava no meu pau, me obrigava a v\u00ea-la urinar e gostava que eu a beijasse juntamente com suas amigas mais novas. Gostava de beijar de l\u00edngua ap\u00f3s engolir uma colherada de a\u00e7\u00facar. Tamanho foi meu espanto quando ela fez uma grande fila e beijou outras garotas e garotos na minha frente.<\/p>\n<p>Anos mais tarde os psic\u00f3logos disseram que isso desencadeou um trauma. N\u00e3o me arrependo, fazia quest\u00e3o e at\u00e9 deixava o dever de casa para ir todos os dias na igreja receber a ben\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p>Nessa idade j\u00e1 sabia muito bem o que era uma foda. N\u00e3o tinha propriamente fodido, mas tinha achado peda\u00e7os de uma revista de fotonovela porn\u00f4, para um garoto de oito anos isso era quase a mesma coisa.<\/p>\n<p>Nessa revista havia uma caralho imenso enterrado no cu de uma loira que se expressava atrav\u00e9s de um bal\u00e3o de di\u00e1logo, \u201cRomildinho, acabe com todas as minhas pregas\u201d.<\/p>\n<p>Mas isso era um mero conto infantil perto das coisas que ouvia e via do muro da minha casa. Margareth tinha nome de puta e era uma puta, n\u00e3o das que cobram, mas das que representam o sentido jocoso da palavra. Dona Mag\u00e1 era uma mulher que sentia prazer em dar para outros homens sem o conhecimento do seu marido.<\/p>\n<p>O esposo, Seu Ant\u00f4nio ou \u201cToninho\u201d, aos meus olhos e aos da vizinhan\u00e7a era de um bom homem. Tinha uns 10 anos a mais que ela e trabalhava como despachante.\u00a0 Carro do ano, casa sempre pintada, antena parab\u00f3lica, tinham um padr\u00e3o de vida at\u00e9 que razo\u00e1vel para o bairro imundo que resid\u00edamos. Raramente ouvia-se briga naquela casa e sempre iam juntos para igreja como um casal socialmente ideal.<\/p>\n<p>Mas era s\u00f3 Toninho ir trabalhar que os cachorros come\u00e7avam a latir. Dona Mag\u00e1 colocava um vaso de flores horrendo na janela, ligava a r\u00e1dio no programa do Paulo Lopes e ia varrer o quintal com vestidos tenebrosamente coloridos e terrivelmente justos. Ainda hoje quando ou\u00e7o o refr\u00e3o de \u201cPaulo Lopes, o amig\u00e3o das mulheres\u201d recordo-me daquele rabo florido imenso sorrindo para o c\u00e9u e bailando com uma vassoura.<\/p>\n<p>Quando as flores estavam na janela, Seu Moacir, vizinho da rua de cima entrava \u00e0s dez da manh\u00e3. Ap\u00f3s o almo\u00e7o era Pedrinho, eletricista do bairro. Uma vez vi at\u00e9 o meu av\u00f4 entrar.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo \u00e0s quatro da tarde era hora do ch\u00e1 e sempre vinham mulheres com crian\u00e7as que eu n\u00e3o conhecia. E l\u00e1 ficavam at\u00e9 Seu Toninho chegar. Esse era o \u00e1libi da meretriz, dizia ao marido que passara o dia todo com as visitas para justificar o motivo de n\u00e3o arrumar a casa e preparar o jantar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de dona de casa ela lecionava em uma escola dominical. Fui um de seus alunos na igreja que ficava em nossa rua. Ela nos dava bombos em domingos aleat\u00f3rios. Quando se abaixava, eu conseguia ver pelo comportado decote evang\u00e9lico a estrada de seus dois Montes Si\u00e3o. Seus seios eram fartos e quando Ad\u00e3o deixava Eva no para\u00edso para ir \u00e0 igreja com seu pau duro em forma de serpente ela vinha sem suti\u00e3 e com uma calcinha de renda atolada no cu.<\/p>\n<p>Eu olhava tanto a saia bege daquela vagabunda crist\u00e3 que quando ficava de costas eu tra\u00e7ava um perfil completo do seu humor. A intensidade do atolamento da sua calcinha no rabo revelava como seria a aula e se no fim do dia ganhar\u00edamos bombons.<\/p>\n<p>Certa vez ela se abaixou para ler comigo uma frase. Nesse instante movi propositalmente para o lado de modo que minha orelha esquerda tocasse seus suculentos peitos. Por alguns miser\u00e1veis segundos senti suas tetas macias, me esfreguei em seus mamilos pontudos e saboreie seu cheiro de mulher madura do bairro. Tinha aroma de carmim com um toque de cravo e cinco litros de porra.<\/p>\n<p>Descobri o que Dona Mag\u00e1 fazia com os homens da vila por um acaso. Brincava no muro com um carrinho da Estrela que furtei de algum garoto mais afortunado que eu. Ouvi um homem gritar e uma mulher gemer. Por cima do muro pude ver Dona Mag\u00e1 cavalgando no pau do Pedrinho com um tubo preto de desodorante Axe enfiado no cu. N\u00e3o bastando, ela colocou um espelho de ch\u00e3o atr\u00e1s da cama para ver o objeto bizarro e a rola dan\u00e7arem em suas duas cavidades.<\/p>\n<p>Nunca meu pau tinha ficado t\u00e3o duro e tampouco tinha visto uma cena t\u00e3o grotesca. Sa\u00ed correndo para a cozinha e fiquei com uma enorme vontade de mexer no caralho que chegava a doer de t\u00e3o r\u00edgido que estava. Voltei para o muro minutos depois, e l\u00e1 estava aquela vizinha morena vagabunda com seus estonteantes cabelos longos. Agora estava de quatro sendo penetrada e espancada com viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse incidente passei a decorar os hor\u00e1rios. Cheguei at\u00e9 a perder aula e faltar em dias de provas s\u00f3 para ver meu show de sexo ao vivo. Nessa \u00e9poca acho que surgiu meu estranho desejo de fotografar. Eu pegava a c\u00e2mera da minha m\u00e3e n\u00e3o para registrar, mas para ver aquele rabo mais perto com a teleobjetiva.<\/p>\n<p>Espanto mesmo foi quando minha av\u00f3 me viu com aquela c\u00e2mara e descobriu a cena que fitava. Conversaram por dias comigo, me deram as explica\u00e7\u00f5es mais bizarras sobre o que estava ocorrendo e fizeram a pior coisa que podiam, aumentaram o muro.<\/p>\n<p>Durante meses n\u00e3o mais sabia o que se passara por tr\u00e1s daquela parede, mas a freq\u00fc\u00eancia de pessoas entrando na casa come\u00e7ou a diminuir e Seu Toninho passou a chegar mais cedo no lar. Seu semblante estava quase sempre negro e n\u00e3o mais me cumprimentava com alegria. Da rua eu nunca mais tinha visto o vaso na janela.<\/p>\n<p>Em um domingo chuvoso, estranhei n\u00e3o v\u00ea-l\u00e1 na escola dominical e fiquei intrigado quando retornei para casa. Da rua pude visualizar o vaso de Dona Mag\u00e1 na janela sem flor alguma. Havia um tom estranho no ar, uma chuva e um sol brigando por espa\u00e7o. A \u00e1gua caia e rapidamente retornava aos c\u00e9us em meio a uma fuma\u00e7a de condensa\u00e7\u00e3o que dan\u00e7ava com o asfalto. Tudo era amarelo naquele dia.<\/p>\n<p>J\u00e1 em casa, consegui uma cadeira de cozinha e alguns livros na sala. Fiz uma escada improvisada e consegui ver com muito esfor\u00e7o o outro lado do muro. O vaso continuava na janela. Havia flores murchas espalhadas no ch\u00e3o do quarto e um tamanco estava virado ao contr\u00e1rio sobre o tapete remexido.<\/p>\n<p>Vi uma sombra de qualquer coisa mover-se pelo quarto e me abaixei. Voltei a espiar o c\u00f4modo do casal e vi algumas manchas escuras na parede. A parte da cama estava dif\u00edcil visualizar e era necess\u00e1rio que ficasse ainda mais alto. Com muito custo fiquei na ponta dos p\u00e9s e me apoiei na parede dando um impulso para ficar mais alto. Vi brevemente na cama um grande embrulho com sacos de lixo preto.<\/p>\n<p>No dia seguinte fui acordado pelo barulho de um helic\u00f3ptero, sirenes e muitas pessoas falando. Corri para frente de casa. Vi uma multid\u00e3o dividida por uma fita de conten\u00e7\u00e3o. Havia quatro carros de pol\u00edcia, homens com c\u00e2mera nas m\u00e3os e um fot\u00f3grafo que se pendurava em uma \u00e1rvore para tentar fotografar a casa dos meus vizinhos.<\/p>\n<p>Instantes depois uma caminhonete preta e branca com um ba\u00fa esquisito estacionou em frente de casa. Os homens estavam fardados de preto e tinham luvas brancas nas m\u00e3os. Retiraram uma caixa branca vazia e cumprida da traseira do ve\u00edculo e levaram para dentro da casa. Voltaram com o embrulho feito com sacos de lixo preto dentro da caixa branca. Minha av\u00f3 insistia para que eu entrasse.<\/p>\n<p>Na segunda o jornal Not\u00edcias Populares estampava na capa a manchete com foto e tudo mais, o telejornal Aqui &amp; Agora mostrava o interior da casa com Gil Gomes narrando. Dona Mag\u00e1 estava gr\u00e1vida de tr\u00eas meses e fora morta por seu Toninho com 42 tesouradas. Algu\u00e9m contou sobre o caso e ele deixou de trabalhar em um dos dias para ficar de campana na esquina de baixo. Ele n\u00e3o foi encontrado e estava desaparecido com o retrato divulgado na TV.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje n\u00e3o mais soubemos do Seu Toninho e desde ent\u00e3o nunca mais olhei o outro lado do muro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: \u00c1lvaro Perazzoli Imagem: Oitenta &#8220;tijolinhos&#8221; &#8211; Obra produzida por menores da favela carioca As flores na janela da minha vizinha era o sinal que ela queria dar. Descobri bem cedo que na casa ao lado morava uma mulher s\u00e1dica, perversa e depravada. 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