{"id":1638,"date":"2014-03-07T21:19:55","date_gmt":"2014-03-08T00:19:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/?p=1638"},"modified":"2014-06-20T13:12:20","modified_gmt":"2014-06-20T16:12:20","slug":"sexo-tragedia-ii-o-senhor-da-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1638","title":{"rendered":"Sexo &#038; Trag\u00e9dia &#8211; II &#8211; O Senhor da Noite"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Texto e foto: <\/strong>\u00c1lvaro Perazzoli<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><\/em><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1640\" title=\"O Senhor da Noite\" src=\"http:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Senhor-da-noiteb-200x300.jpg\" alt=\"O Senhor da Noite\" width=\"188\" height=\"273\" \/>Na cal\u00e7ada do fara\u00f4nico cemit\u00e9rio da Zona Leste de SP um homem nu de meia idade corre em dire\u00e7\u00e3o a uma poss\u00edvel prostituta. Com os sapatos nas m\u00e3os ela foge sem roupa como um coelho assustado. E assim come\u00e7a minha busca noturna por coquet\u00e9is alucin\u00f3genos que me far\u00e3o sorrir na cama de uma qualquer.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma igreja batista em uma das travessas da avenida desse dep\u00f3sito de corpos. Nesse lugar travestis dividem a cal\u00e7ada com putas &#8220;desaposentadas&#8221;, abutres pedem e farejam qualquer coisa que voc\u00ea tenha bem pr\u00f3ximo dos senhores da alegria. Sim, eram esses \u00faltimos que procurava.<\/p>\n<p>Com algumas poucas notas eles d\u00e3o felicidade na forma e intensidade que voc\u00ea deseja. Comprei colorida, lenta, psic\u00f3tica e poderosa.<!--more--><\/p>\n<p>Os senhores da alegria transformam qualquer mortal em senhor da noite. Entrei no primeiro bar que visualizei para ser feliz. Era uma casa tenebrosamente azul, de tom opaco, consist\u00eancia \u00e1spera e gasta. Nele havia uma luz amarela parcialmente torta com o fio improvisado \u00e0 mostra repleto de fuligem. Ao redor dela havia o antro do que a morte recusou e a vida esqueceu.<\/p>\n<p>Uma velha maltrapilha com um espartilho surrado de tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s exibia na boca um vermelho nauseantemente vermelho. Ela me disse algo com a palavra amor no meu caminho para o banheiro.<\/p>\n<p>Abri a porta sem bater, um \u00e2nus masculino era estupidamente devorado por uma boca v\u00edvida de um homem com pelo menos 30 anos a mais que eu. Minha presen\u00e7a n\u00e3o os incomodou, mas o som fren\u00e9tico de uma l\u00edngua velha sedenta por aquelas pregas imundas me fez questionar sobre o encontro com a felicidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o podia hesitar, escolhi a pia branca encardida por escarro e tudo de mais podre que nosso esgoto humano produz. Ali marquei um encontro com deus e me aconselhei com o dem\u00f4nio. Em pouco menos de 10 segundos fui ao \u00c9den, visitei a Babil\u00f4nia, coroaram-me Rei da Crimeia e vi bem de perto todas as explos\u00f5es do sol.<\/p>\n<p>Nesse momento a l\u00edngua parou de conversar com o \u00e2nus e quando abri a porta era outro ser. Todos me olhavam e me veneravam, como se naquele lugar imundo tivesse surgido o pr\u00edncipe das trevas vestindo Dior e Chalayan.<\/p>\n<p>Caminhando em dire\u00e7\u00e3o a sa\u00edda, virei o copo de conhaque de algu\u00e9m, assustei o cachorro de ningu\u00e9m e fitei o SUV importado com duas garotas que conversavam com os senhores da alegria. Elas me olharam com um semblante desafiador e acharam gra\u00e7a na forma que caminhava na dire\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo de cor p\u00e1lida.<\/p>\n<p>N\u00e3o perguntaram meu nome, n\u00e3o disseram absolutamente nada, abriram a porta traseira esquerda e aguardaram que me acomodasse. Era como se uma carruagem aguardasse para levar-me ao altar dos sacrif\u00edcios no s\u00e9timo patamar do inferno.<\/p>\n<p>Fechei a porta, subiram todos os vidros escuros e o carro come\u00e7ou a se movimentar. Uma batida demoniacamente \u00e1rabe inundava o interior daquele autom\u00f3vel. A carona pulou para o banco de tr\u00e1s e come\u00e7ou a gargalhar de forma assombrosa. Agora de rei passei a ser uma presa fr\u00e1gil e indefesa.<\/p>\n<p>O ve\u00edculo estava em uma velocidade alta e fazia curvas bruscamente. Nesse instante meu corpo caiu no colo daquela garota que vestia um vestido branco e exalava Paco Rabanne. Ela acariciou meu pau com for\u00e7a e come\u00e7ou a lamber a parte que estava \u00e0 mostra do meu peito.<\/p>\n<p>Segurou minhas duas m\u00e3os e me imobilizou. Sugou minha orelha, colocou-me de bru\u00e7os no banco traseiro, afastou meus dreads e mordiscou selvagemente minha nuca. Minha vista estava turva, n\u00e3o sabia se ali estava uma garota oriental, um drag\u00e3o chin\u00eas ou uma planta carn\u00edvora do Camboja que me consumia como um inseto.<\/p>\n<p>Ela come\u00e7ou a me socar, senti meu nariz sangrar e ela n\u00e3o deixou que me limpasse, segurou novamente minhas m\u00e3os e recolheu o sangue com sua l\u00edngua. Eu n\u00e3o sentia dor, receava pelo que podia acontecer e para onde me levavam. Ao mesmo tempo isso me excitava e ela percebeu o volume da minha cal\u00e7a aumentar.<\/p>\n<p>Nesse momento consegui visualizar sua fei\u00e7\u00e3o e me arrependi disso, era como um urubu que farejava carni\u00e7a h\u00e1 quil\u00f4metros. No canto de sua boca havia resqu\u00edcio do meu l\u00edquido vital. Gostava do que via, ela imediatamente abriu minha cal\u00e7a e come\u00e7ou a chupar-me como uma vampira.<\/p>\n<p>A condutora tinha cabelos claros e gritava algumas coisas junto com a m\u00fasica e nos olhava constantemente pelo retrovisor. Luzes vermelhas ofuscavam minha mente, o carro parou em um farol e o som de uma inala\u00e7\u00e3o profunda fez-me gelar a alma.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o esperou as luzes ficarem verdes, saiu em disparada e se perdia frequentemente na dire\u00e7\u00e3o. Fazia alguns gestos sincronizados com as m\u00e3os e passou agora a me olhar diretamente. Esquecia por v\u00e1rios momentos que havia um mundo a sua frente movendo-se no sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estava apavorado, mas o desejo de morrer trepando era quase t\u00e3o forte como a boca que me violava. Meu cora\u00e7\u00e3o acelerou demasiadamente, segurei por instinto no encosto da porta e uma forte luz invadiu todo o interior do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>\u201cDeus chegou\u201d, gritou a motorista. Um estrondo forte me atirou em dire\u00e7\u00e3o ao banco dianteiro e estilha\u00e7os de vidro ca\u00edram por todo meu corpo. Vi em c\u00e2mera lenta aquela boca livrar-se do meu cacete e seguir em dire\u00e7\u00e3o a rua. Seu corpo dobrou-se violentamente quando cruzou a fresta dos bancos dianteiros e ancorou sem vida no poste que estava \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Eu urrava dentro do carro, uma adrenalina sem fim tomava conta do meu corpo. N\u00e3o sei se era um grito de alegria, de pavor ou de tes\u00e3o. Apenas gritava.<\/p>\n<p>No carro, a motorista se contorcia na bolsa de ar branca rabiscada pelo tom negro do seu batom. Mesmo fora de si e com um enorme corte na face era uma garota linda.<\/p>\n<p>Beijei apaixonadamente sua boca ensanguentada, agradeci pela noite, abri a porta e segui meu caminho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e foto: \u00c1lvaro Perazzoli Na cal\u00e7ada do fara\u00f4nico cemit\u00e9rio da Zona Leste de SP um homem nu de meia idade corre em dire\u00e7\u00e3o a uma poss\u00edvel prostituta. Com os sapatos nas m\u00e3os ela foge sem roupa como um coelho assustado. 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