{"id":1409,"date":"2010-12-15T19:43:09","date_gmt":"2010-12-15T22:43:09","guid":{"rendered":"http:\/\/urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1409"},"modified":"2010-12-15T19:45:25","modified_gmt":"2010-12-15T22:45:25","slug":"a-morte-das-gotas-e-as-nuvens-de-algodao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1409","title":{"rendered":"A morte das gotas e as nuvens de algod\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Este poema foi escrito em janeiro de 2010 no meu primeiro retorno do Pantanal para S\u00e3o Paulo. Em Campo Grande (MS) conheci uma garota que me disse que na inf\u00e2ncia comeu algod\u00e3o para saber qual era o gosto das nuvens&#8230;<\/p>\n<p><strong>A morte das gotas e as nuvens de algod\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Texto e fotos por <\/em><em><a href=\"..\/?page_id=20\" target=\"_blank\">\u00c1lvaro Perazzoli<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><a rel=\"attachment wp-att-1410\" href=\"http:\/\/urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?attachment_id=1410\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1410\" title=\"IMG_7273b\" src=\"http:\/\/urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/IMG_7273b-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/IMG_7273b-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/IMG_7273b-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/IMG_7273b.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 282px) 100vw, 282px\" \/><\/a><\/em>Observo a chuva pela janela.<\/p>\n<p>As gotas que caem n\u00e3o molham mais meu rosto, agora escondo minhas l\u00e1grimas com lentes escuras.<\/p>\n<p>Quanto mais pr\u00f3ximo fico do c\u00e9u, mais longe fico dos sonhos e mais pr\u00f3ximo fico da realidade.<\/p>\n<p>Sinto medo, mas n\u00e3o sei ao certo de que.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><!--more--><\/p>\n<p>Talvez de n\u00e3o voltar ou quem sabe de encarar o mundo que me espera.<\/p>\n<p>Vejo as nuvens de algod\u00e3o, espero encontrar algo diferente nesta paisagem incomum, talvez um casal de p\u00e1ssaros vermelhos.<\/p>\n<p>Olho os montinhos de fuma\u00e7a branca dan\u00e7arem, ora s\u00e3o monstros, ora s\u00e3o castelos de qualquer coisa que jamais ser\u00e3o iguais.<\/p>\n<p>N\u00e3o sinto dor, n\u00e3o posso sentir amor, apenas flutuo por algumas dezenas de minutos em um universo de lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>Estou em uma c\u00e1psula repleta de pessoas que tem medo da chuva e n\u00e3o podem me ver chorar.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o estranhas.<\/p>\n<p>Vai ficando para tr\u00e1s um lugar onde o c\u00e9u \u00e9 azul, as nuvens s\u00e3o brancas, a terra \u00e9 verde e os sorrisos s\u00e3o t\u00e3o sinceros.<\/p>\n<p>T\u00e3o sinceros que tenho vontade de guardar em uma caixa, para abrir sempre que as frias cinzas do lugar que vivo atormentarem minha alma.<\/p>\n<p>E nos olhos do sorriso mais belo, vejo um deus que perdeu seus fi\u00e9is discutir sobre amor com um rei que perdeu os s\u00faditos.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 o incr\u00e9dulo deles sobre o que sinto ou ser\u00e1 que esses olhos n\u00e3o acreditam que algu\u00e9m possa am\u00e1-los de verdade?<\/p>\n<p>Carrego tamb\u00e9m a d\u00favida de como algu\u00e9m que adora nuvens de algod\u00e3o deseja tanto ser uma pedra.<\/p>\n<p>Vai chegando uma terra cinzenta, onde ser e ter \u00e9 mais importante que viver.<\/p>\n<p>A chuva no lugar que vivo \u00e9 pesada, ela n\u00e3o traz coisas do ar ou renova a alma.<\/p>\n<p>Ela devasta e traz mais tristezas.<\/p>\n<p>As gotas caem de uma forma diferente em cada lugar, aqui elas despencam, como se estivessem mortas, caem por cair.<\/p>\n<p>Desta janela n\u00e3o posso olhar adiante ou para tr\u00e1s, apenas observo o presente e escolho o que devo guardar.<\/p>\n<p>Quando o solo fica mais perto os sonhos d\u00e3o lugar \u00e0s metas, os sentimentos a obriga\u00e7\u00f5es e o cora\u00e7\u00e3o volta a ser um motor.<\/p>\n<p>Estou na terra que afasta os sonhos, banaliza o amor, transforma casamentos em contratos e amizades em interesses.<\/p>\n<p>Devo acreditar que posso viver aqui sem estar nesse lugar.<\/p>\n<p>Para isso lembro daqueles que na inf\u00e2ncia comeram algod\u00e3o para saberem qual \u00e9 o gosto das nuvens.<\/p>\n<p>E quando a saudade for insuport\u00e1vel, olharei para o c\u00e9u procurando as nuvens de algod\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este poema foi escrito em janeiro de 2010 no meu primeiro retorno do Pantanal para S\u00e3o Paulo. 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