{"id":1198,"date":"2010-09-19T02:58:25","date_gmt":"2010-09-19T05:58:25","guid":{"rendered":"http:\/\/urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1198"},"modified":"2010-09-19T03:08:14","modified_gmt":"2010-09-19T06:08:14","slug":"proverbios-do-inferno-a-poesia-maldita-de-willian-blake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1198","title":{"rendered":"Prov\u00e9rbios do Inferno &#8211; A Poesia Maldita de Willian Blake"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pr\u00f3verbios do Inferno <\/strong>(De <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/William_Blake\" target=\"_blank\">Willian Blake<\/a>)<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1210\" title=\"188_g\" src=\"http:\/\/urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/188_g1-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"127\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/188_g1-196x300.jpg 196w, https:\/\/www.vidaclandestina.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/188_g1.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 127px) 100vw, 127px\" \/>No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.<br \/>\nConduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.<br \/>\nA estrada do excesso leva ao pal\u00e1cio da sabedoria.<br \/>\nA Prud\u00eancia \u00e9 uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impot\u00eancia.<br \/>\nQuem deseja, mas n\u00e3o age, gera a pestil\u00eancia.<br \/>\nO verme partido perdoa ao arado.<br \/>\nMergulha no rio quem gosta de \u00e1gua.<br \/>\nO tolo n\u00e3o v\u00ea a mesma \u00e1rvore que o s\u00e1bio.<br \/>\nAquele, cujo rosto n\u00e3o se ilumina, jamais h\u00e1 de ser uma estrela.<br \/>\nA Eternidade anda apaixonada pelas produ\u00e7\u00f5es do tempo.A abelha atarefada n\u00e3o tem tempo para tristezas.<br \/>\nAs horas de loucura s\u00e3o medidas pelo rel\u00f3gio; mas nenhum rel\u00f3gio mede as de sabedoria.<br \/>\nOs alimentos sadios n\u00e3o s\u00e3o apanhados com armadilhas ou redes.<br \/>\nTorna do n\u00famero, do peso e da medida em ano de escassez.<br \/>\nNenhum p\u00e1ssaro se eleva muito, se se eleva com as pr\u00f3prias asas.<br \/>\nUm cad\u00e1ver n\u00e3o vinga as inj\u00farias.<br \/>\nO ato mais sublime \u00e9 colocar outro diante de ti.<br \/>\nSe o louco persistisse em sua loucura, acabaria se tornando S\u00e1bio.<br \/>\nA loucura \u00e9 o manto da velhacaria.<br \/>\nO manto do orgulho \u00e9 a vergonha.<br \/>\nAs Pris\u00f5es se constr\u00f3em com as pedras da Lei, os Bord\u00e9is, com os tijolos da Religi\u00e3o.<br \/>\nO orgulho do pav\u00e3o \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nA lux\u00faria do bode \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nA f\u00faria do le\u00e3o \u00e9 a sabedoria de Deus.<br \/>\nA nudez da mulher \u00e9 a obra de Deus.<br \/>\nO excesso de tristeza ri; o excesso de alegria chora.<br \/>\nO rugir de le\u00f5es, o uivar dos lobos, o furor do mar tempestuoso e da espada destruidora s\u00e3o fragmentos de eternidade grandes demais para os olhos humanos.<br \/>\nA raposa condena a armadilha, n\u00e3o a si pr\u00f3pria.<br \/>\nOs j\u00fabilos fecundam. As tristezas geram.<br \/>\nQue o homem use a pele do le\u00e3o; a mulher a l\u00e3 da ovelha.<br \/>\nO p\u00e1ssaro, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade.<br \/>\nO sorridente tolo ego\u00edsta e o melanc\u00f3lico tolo carrancudo ser\u00e3o ambos julgados s\u00e1bios para que sejam flagelos.<br \/>\nO que hoje se prova, outrora era apenas imaginado.<br \/>\nA ratazana, o camundongo, a raposa, o coelho olham as ra\u00edzes;<br \/>\no le\u00e3o, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos.<br \/>\nA cisterna cont\u00e9m; a fonte derrama.<br \/>\nUm s\u00f3 pensamento preenche a imensid\u00e3o.<br \/>\nDizei sempre o que pensas, e o homem torpe te evitar\u00e1.<br \/>\nTudo o que se pode acreditar j\u00e1 \u00e9 uma imagem da verdade.<br \/>\nA \u00e1guia nunca perdeu tanto o seu tempo como quando resolveu aprender com a gralha.<br \/>\nA raposa prov\u00ea para si, mas Deus prov\u00ea para o le\u00e3o.<br \/>\nDe manh\u00e3, pensa; ao meio-dia, age; no entardecer, come; de noite, dorme.<br \/>\nQuem permitiu que dele te aproveitasses, esse te conhece.<br \/>\nAssim como o arado vai atr\u00e1s de palavras, assim Deus recompensa ora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOs tigres da ira s\u00e3o mais s\u00e1bios que os cavalos da educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDa \u00e1gua estagnada espera veneno.<br \/>\nNunca se sabe o que \u00e9 suficiente at\u00e9 que se saiba o que \u00e9 mais que suficiente.<br \/>\nOuve a reprova\u00e7\u00e3o do tolo! \u00c9 um elogio soberano!<br \/>\nOs olhos, de fogo; as narinas, de ar; a boca, de \u00e1gua; a barba, de terra.<br \/>\nO fraco na coragem \u00e9 forte na esperteza.<br \/>\nA macieira jamais pergunta \u00e0 faia como crescer; nem o le\u00e3o, ao cavalo, como apanhar sua presa.<br \/>\nAo receber, o solo grato produz abundante colheita.<br \/>\nSe os outros n\u00e3o fossem tolos, n\u00f3s ter\u00edamos que ser.<br \/>\nA ess\u00eancia do doce prazer jamais pode ser maculada.<br \/>\nAo veres uma \u00c1guia, v\u00eas uma parcela da Genialidade. Levanta a cabe\u00e7a!<br \/>\nAssim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para deitar seus ovos, assim o sacerdote lan\u00e7a sua maldi\u00e7\u00e3o sobre as alegrias mais belas.<br \/>\nCriar uma florzinha \u00e9 o labor de s\u00e9culos.<br \/>\nA maldi\u00e7\u00e3o aperta. A ben\u00e7\u00e3o afrouxa.<br \/>\nO melhor vinho \u00e9 o mais velho; a melhor \u00e1gua, a mais nova.<br \/>\nOra\u00e7\u00f5es n\u00e3o aram! Louvores n\u00e3o colhem! J\u00fabilos n\u00e3o riem! Tristezas n\u00e3o choram!<br \/>\nA cabe\u00e7a, o Sublime; o cora\u00e7\u00e3o, o Sentimento; os genitais, a Beleza; as m\u00e3os e os p\u00e9s, a Propor\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo o ar para o p\u00e1ssaro ou o mar para o peixe, assim \u00e9 o desprezo para o desprez\u00edvel.<br \/>\nA gralha gostaria que tudo fosse preto; a coruja, que tudo fosse branco.<br \/>\nA Exuber\u00e2ncia \u00e9 a Beleza.<br \/>\nSe o le\u00e3o fosse aconselhado pela raposa, seria ardiloso.<br \/>\nO Progresso constr\u00f3i estradas retas; mas as estradas tortuosas, sem o Progresso, s\u00e3o estradas da Genialidade.<br \/>\nMelhor matar uma crian\u00e7a no ber\u00e7o do que acalentar desejos insatisfeitos.<br \/>\nOnde o homem n\u00e3o est\u00e1 a natureza \u00e9 est\u00e9ril.<br \/>\nA verdade nunca pode ser dita de modo a ser compreendida sem ser acreditada.<br \/>\n\u00c9 suficiente! ou Basta.<\/p>\n<p><strong><em>Extra\u00eddo da obra <\/em><\/strong><em><a href=\"http:\/\/loja.novaalexandria.com.br\/detalhes.php?prod=120&amp;kb=5\" target=\"_blank\">William Blake. Poesia e prosa selecionadas. S.P., Nova Alexandria, 1993<\/a><br \/>\n<strong>Imagem:<\/strong><a href=\"http:\/\/loja.novaalexandria.com.br\/detalhes.php?prod=120&amp;kb=5\" target=\"_blank\"> Editora Nova Alexandria<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00f3verbios do Inferno (De Willian Blake)No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta. Conduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos. A estrada do excesso leva ao pal\u00e1cio da sabedoria. A Prud\u00eancia \u00e9 uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impot\u00eancia. 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