{"id":1172,"date":"2010-09-14T13:50:43","date_gmt":"2010-09-14T16:50:43","guid":{"rendered":"http:\/\/urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1172"},"modified":"2010-09-14T13:59:53","modified_gmt":"2010-09-14T16:59:53","slug":"o-twitter-e-o-jornalismo-boca-a-boca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/?p=1172","title":{"rendered":"O Twitter e o &#8220;jornalismo boca a boca&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Not\u00edcia reproduzida do portal <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio da Imprensa<\/a> e escrita por Carlos Castilho<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1178\" title=\"killtwitter\" src=\"http:\/\/urbanriders.com.br\/alvaro.perazzoli\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/killtwitter.jpg\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"150\" \/>O recente terremoto na Nova Zel\u00e2ndia acrescentou mais um elemento \u00e0 j\u00e1 <strong>longa lista de pol\u00eamicas <\/strong>envolvendo  o sistema de micromensagens Twitter. O tremor, de 7,2 graus na escala  Richter, foi s\u00f3 um d\u00e9cimo de grau menos intenso do que o do Haiti, e o  jornalistas europeus que tentaram obter not\u00edcias surfando pelo Twitter  de neozalendeses sa\u00edram frustrados da experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><!--more--><\/p>\n<p>Eles constataram que a maioria das mensagens envolvia not\u00edcias  familiares e que o grosso das informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o geral vinha  de fora do pa\u00eds. Isto <strong>refor\u00e7ou a cr\u00edtica <\/strong>de que os Twitters n\u00e3o  s\u00e3o uma ferramenta relevante para os profissionais do jornalismo,  confirmando uma experi\u00eancia feita no in\u00edcio do ano por um grupo de cinco  rep\u00f3rteres de uma r\u00e1dio francesa, que se isolou numa fazenda e s\u00f3 tinha  acesso ao mundo por meio de mensagens postadas por pessoas comuns.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica em torno da <strong>utilidade jornal\u00edstica do Twitter <\/strong>ainda  vai durar muito tempo porque se trata de uma quest\u00e3o complexa cujo  debate n\u00e3o pode ser resumido \u00e0s op\u00e7\u00f5es usar ou n\u00e3o usar. \u00c9 um fato  inquestion\u00e1vel que a esmagadora maioria das mensagens que circulam no  Twitter t\u00eam a ver com quest\u00f5es pessoais e familiares, porque a  ferramenta ampliou a sensa\u00e7\u00e3o de proximidade entre os usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>As not\u00edcias que circulam na rede s\u00e3o em sua maioria repassadas por  usu\u00e1rios para amigos, no recurso chamado Retweet (RT), por meio do qual a  informa\u00e7\u00e3o \u00e9 transmitida de pessoa em pessoa. Este fator humano na  circula\u00e7\u00e3o das not\u00edcias provoca um <strong>fen\u00f4meno curioso. <\/strong>A quantidade  de acessos que uma not\u00edcia recebe em sua vers\u00e3o original na Web depende  do n\u00famero de vezes que ela \u00e9 repassada por usu\u00e1rios do Twitter.<\/p>\n<p>Os twiteiros usam este recurso como uma forma de criar comunidades em  torno de temas de interesse localizado e espec\u00edfico. Outro componente  importante neste comportamento \u00e9 a <strong>transfer\u00eancia de credibilidade<\/strong>,  ou seja, se uma pessoa de minha confian\u00e7a recomenda uma informa\u00e7\u00e3o,  esta passa tamb\u00e9m a ser confi\u00e1vel. Parece pouca coisa, mas num ambiente  de avalancha informativa, a recomenda\u00e7\u00e3o de amigos passa a ser  fundamental.<\/p>\n<p>Tudo isto indica que, no Twitter, a not\u00edcia jornal\u00edstica passa a ser  tratada de uma forma distinta da forma convencional, em que a  impersonalidade \u00e9 um componente essencial. Claro que voc\u00ea pode consultar  os twits dos ve\u00edculos jornal\u00edsticos convencionais, mas n\u00e3o s\u00e3o eles os  que det\u00eam os maiores <strong>\u00edndices de &#8220;seguimento&#8221; <\/strong>\u2014<strong> <\/strong>a op\u00e7\u00e3o de seguir um usu\u00e1rio para obter todas as atualiza\u00e7\u00f5es mais recentes de sua p\u00e1gina.<\/p>\n<p>Em termos informativos, o Twitter estaria mais pr\u00f3ximo do <strong>sistema boca a boca <\/strong>do  que de uma p\u00e1gina de jornal ou notici\u00e1rio na TV. E \u00e9 assim que o  sistema deve ser visto, porque n\u00e3o segue a l\u00f3gica do jornalismo  profissional. A circula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias no Twitter \u00e9 desorganizada,  descentralizada, horizontal e quase ca\u00f3tica.<\/p>\n<p>Os padr\u00f5es de credibilidade tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o os mesmos da imprensa mas  nem por isso o Twitter deve ser descartado como fonte noticiosa. O caos  do Twitter permite uma <strong>diversifica\u00e7\u00e3o de enfoques <\/strong>sobre um mesmo  fato, dado ou processo, viabilizando uma contextualiza\u00e7\u00e3o mais completa  da not\u00edcia \u2014 coisa bem mais dif\u00edcil na imprensa pr\u00e9-internet.<\/p>\n<p>O Twitter tamb\u00e9m faz uma <strong>liga\u00e7\u00e3o direta <\/strong>entre produtores de  not\u00edcias, como \u00e9 o caso das p\u00e1ginas de jogadores e alguns clubes de  futebol e o p\u00fablico. Jornalistas e pessoas comuns usam a mesma fonte,  mas a not\u00edcia circulada de boca em boca vai mais r\u00e1pido e mais longe do  que a veiculada pela p\u00e1gina web do jornal.<\/p>\n<p>A populariza\u00e7\u00e3o do Twitter criou um <strong>problema adicional para as reda\u00e7\u00f5es<\/strong>.  N\u00e3o basta publicar a not\u00edcia. Ela precisa ser recomendada \u2014 e isto  incorpora um novo agente no processo de circula\u00e7\u00e3o de uma informa\u00e7\u00e3o. A  recomenda\u00e7\u00e3o de uma not\u00edcia escapa ao controle dos profissionais do  jornalismo e os obriga a olhar um pouco al\u00e9m da porta das reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es feitas a prop\u00f3sito do terremoto neozeland\u00eas mostram  que a not\u00edcia pelo Twitter n\u00e3o est\u00e1 associada apenas ao seu valor  informativo, mas tamb\u00e9m a um conteudo emocional. A veicula\u00e7\u00e3o de  not\u00edcias para os desabrigados pelo temor valeu mais pela sensa\u00e7\u00e3o de  solidariedade do que pela carga informativa. Estranhos se tornaram  \u00edntimos no meio da trag\u00e9dia, gerando <strong>comunidades informativas instant\u00e2neas<\/strong>.<\/p>\n<p>A not\u00edcia viral, jarg\u00e3o criado pelos estudiosos do fen\u00f4meno Twitter,  passa a ser o produto informativo criado pelas recomenda\u00e7\u00f5es sucessivas.  Neste processo, a teoria do &#8220;<strong>quem conta um conto aumenta um ponto&#8221; <\/strong>s\u00f3  \u00e9 parcialmente v\u00e1lida, j\u00e1 que na retwitagem quase sempre \u00e9 a vers\u00e3o  original que \u00e9 passada adiante. Mas isto n\u00e3o elimina o risco de  distor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em><strong>Imagem: <\/strong><\/em><a href=\"http:\/\/myresonancescore.com\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/myresonancescore.com<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Not\u00edcia reproduzida do portal Observat\u00f3rio da Imprensa e escrita por Carlos Castilho O recente terremoto na Nova Zel\u00e2ndia acrescentou mais um elemento \u00e0 j\u00e1 longa lista de pol\u00eamicas envolvendo o sistema de micromensagens Twitter. 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